O título desta resenha se dá por um motivo muito simples: eu não dei a devida atenção ao Incubus!
Eu só conhecia “Drive“, música que acho espetacular, mas pensava que a banda teria um zilhão de faixas parecidas (como se fosse fácil assim, né?). Até para não perder o encanto, segui sem me aprofundar muito, além do fato de que sempre há novidades para ouvir.
De três semanas para cá, algo mudou. Sinceramente, não sei dizer o que me levou a colocar o Make Yourself para tocar. Talvez tenham sido os deuses da música dizendo: “chegou o momento de apreciar essa banda como se deve”. Pode ser, mas ainda bem que essa hora chegou, pois hoje posso dizer que estou viciado em Incubus. Tanto é que escolhi falar deste que é o terceiro álbum deles, lançado em 1999.
Claro que, para entender melhor o contexto da obra, precisei ouvir outros trabalhos. No momento certo falarei deles com calma, mas me refiro ao S.C.I.E.N.C.E. (1997) e ao Morning View (2001). Achei que escutar um antecessor e outro lançado logo em seguida ajudaria a compreender o que a banda pretendia construir.
De cara, posso dizer que Make Yourself representou a transição de um metal alternativo, que flertava demais com o nu metal e trazia influências nítidas de Primus e Faith No More, para um rock mais melódico, acessível e rico em texturas. Este disco está exatamente no meio de tudo isso. O curioso é que o grupo seguia na contramão da grande tendência do momento, basta lembrar que no mesmo ano saíram Significant Other (Limp Bizkit), Issues (Korn) e The Burning Red (Machine Head).
Mesmo dividindo o palco com essas bandas nos festivais mundo afora, o Incubus decidiu tomar outro rumo. Aquele peso caótico cedeu espaço a uma linguagem madura de rock alternativo, equilibrando peso melódico, passagens atmosféricas, pitadas psicodélicas e intervenções eletrônicas e acústicas na medida certa. Você ainda sente a presença forte do peso da guitarra, mas consegue visualizar boa parte do repertório tocando em qualquer rádio FM voltada ao público jovem e até a ouvintes que nem são tão chegados ao rock.
Intencional ou não, a faixa de abertura, “Privilege“, serve como a ponte perfeita entre o som que o Incubus fazia no passado e a nova direção sonora que ficaria ainda mais evidente no álbum seguinte. É talvez uma das mais pesadas do disco, embora guarde certo apelo radiofônico.
Os destaques são tantos que nem seria viável destrinchar cada canção. O que fica claro é que a raiva juvenil não se transformou apenas na parte instrumental; as letras são reflexivas, introspectivas e tratam de temas sóbrios. Encontramos reflexões sobre conflitos emocionais, política, distância, a coragem necessária para encarar decisões difíceis e a recusa em aceitar padrões pré-fabricados de vida. É um prato cheio. Há espaço até para a instrumental “Battlestar Scralatchtica”, inspirada na cultura hip-hop, que foge completamente da fórmula batida de rap-rock genérico feito só para preencher espaço.
Antes de ir, sairei de cima do muro, tá legal? A minha preferida, até este momento, é When it Comes. Basicamente fala sobre não permitir que o mundo pense por você, sobretudo lhe oferendo “pirataria mental”, fazendo-o achar que trocou seu cérebro com um imbecil, conforme a própria letra traz de modo enfático.
Só posso dizer que este disco é sensacional. Você chega nele por causa de “Drive” e sai sem saber do que gostou mais.
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