Curte The Doors? Então chega aqui
Eu sempre ouvi falar que o The Doors é uma daquelas bandas sem paralelos. Isso porque quase toda banda que conhecemos tem outras que fazem um som muito semelhante. Sinceramente, eu concordava com essa afirmação, até ouvir um bando de moleques de Baltimore, Estados Unidos, tocando uma música chamada "Lay With Me".
Sério, na hora em que essa música tocou, eu não estava prestando muita atenção. Sabe quando você coloca uma música para cuidar dos afazeres? Pois então, o contexto é exatamente esse. Logo no começo dela, pensei estar diante de algum lançamento póstumo do The Doors ou, talvez, de alguma canção deles que eu tivesse deixado passar em meio à sua riquíssima discografia.
A curiosidade em descobrir o nome da música me fez parar o que estava fazendo e, para a minha surpresa, não era o The Doors, e sim uma banda pouco conhecida chamada The Flying Eyes. Não foi frustrante; pelo contrário, abri um sorriso imenso, pois nunca imaginei encontrar algo que sequer fosse semelhante ao The Doors, uma das bandas de que mais gosto.
O arrepio foi instantâneo, pois eu estava ouvindo o Jim Morrison da nova geração: o vocalista e guitarrista do The Flying Eyes, Will Kelly.
Muito se comenta sobre o Ian Curtis ou até mesmo o Glenn Danzig se inspirarem no timbre do Jim, mas nada, absolutamente nada, chega perto do Will Kelly nesse sentido. Não adianta eu ficar falando: vocês precisam ouvir para tirar suas próprias conclusões.
Ah, sobre o disco, não pensem ser uma cópia barata do The Doors; uma coisa não tem nada a ver com a outra. Embora a musicalidade deles carregue elementos do The Doors aqui e ali, trata-se de algo original, muito bem produzido e com composições interessantíssimas. Esse álbum é produto da junção de dois EPs que a banda tinha lançado: Bad Blood (2007) e Winter (2008). Apesar da fusão, o lado "Bad Blood" possui faixas mais diretas e urgentes, enquanto o lado "Winter" nos apresenta composições mais longas, cadenciadas e atmosféricas.
É notório que este trabalho bebeu de outras fontes, como Cream, Blue Cheer e até mesmo Black Sabbath, bandas que eles ouviram muito durante a infância.
Para a minha tristeza, quando conheci o The Flying Eyes, a formação que me arrebatou já tinha se separado. Ela durou até o ano de 2018, quando o próprio Will Kelly resolveu seguir em um projeto solo, o Will Kelly and the Keepers, que rendeu até um disco autointitulado em 2022.
Essa separação não fez bem a nenhum dos lados. Embora a banda ainda se mantenha na ativa, perdeu o charme que tinha, da mesma forma que seu antigo vocalista não conseguiu emplacar na carreira solo.
Com a formação original foram quatro discos. De três deles falarei em outras ocasiões, mas tenho certeza de que este fornece base suficiente para que o resto da discografia seja explorado.
Comentários
0Você precisa estar logado para comentar. Faça login ou Cadastre-se.
Seja o primeiro a comentar!