Lá estava eu jogando alguma versão do Winning Eleven no início dos anos 2000, quando tocou uma tal de “Get Free” no trailer de abertura. Quem é dessa época (fala de quem tá ficando velho) sabe que antes dos jogos começarem, haviam pequenos trailers introdutórios. Nós pulávamos esses trailer, porque o objetivo era jogar, simples assim. Mas no Winning Eleven, esses benditos vídeos tinham um charme, e eu explico qual. Eles mostravam gráficos muito acima do que tínhamos na época. Lembrando que estou falando do PS1. Então ver aquilo nos fazia sonhar com o dia em que teríamos aquele gráfico nos jogos. Então assistíamos.
Bom, eu não era nada ligado à rock, pra falar a verdade, nem tinha muita consciência de que aquilo era rock. Isso só veio tempos depois. Mas aquela “Get Free” tinha algo que eu gostava. O problema é que eu estava c* e andando pra aquilo, já disse, queria jogar logo.
Os anos se passaram, o rock passou a fazer parte do meu gosto musical, mais que isso, a fazer parte de quem eu sou. Em um belo dia, já adulto (ou quase isso), a tal da “Get Free” tocou em algum lugar. Não lembro onde, mas reconheci de cara, como se tivesse retornado aos saudosos anos 2000. Sabia o nome da banda? Não! Sabia o nome da música? Menos ainda! Ignorar isso na infância cobrou um preço. Tá, e agora?
A solução foi mandar aquele “embromation” por áudio no Google. E não é que ele conseguiu me entender?
Lá estavam o título e a banda: “Get Free” – The Vines.
Eu tenho a teoria que de é impossível uma banda ter apenas uma música boa. Quem diz que isso é possível, está de má vontade.
Cheguei ao “Highly Envolved”, disco de estreia dos caras. Meus amigos, que baita disco! É a verdadeira mistura de Beatles com Nirvana, só que feito de forma muito original.
O fato dessa banda não ter decolado tem muito a ver com o seu líder, Craig Nicholls. Era impossível conviver com o sujeito. Até caso de agressão contra fotógrafo rolou. Ele abandonava os shows, cancelava outros, dava entrevistas catastróficas, enfim, um caos. Mas não era pose de rockstar. Anos depois ele foi diagnosticado com a Síndrome de Asperger (atual Transtorno do Espectro Autista).
Só que a essa altura, o estrago estava feito. O The Vines não decolou assim como seus contemporâneos The Strokes, The Hives e White Stripers, mas ainda possui uma discografia tão interessante quanto essas outras. Diria que até mais, viu. Duvida? Vou deixar o link abaixo e você poderá tirar suas conclusões.
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