O melhor disco de estreia da história do rock?

Eu sei que talvez você já acessou esse post com cinco pedras em cada mão e mais cinco discos de estreia que julga melhor que este. Tá tudo certo, foi só uma provocação, até porque esse negócio de “melhor” é bem relativo e vai do gosto de cada um.

Mas uma coisa é inegociável: esse disco do Boston é sim uma das maiores estreias da história.

Antes de mais nada, é bom ressaltar que apesar de ser um álbum bem arena rock, o que não faltou nele foi atitude punk.

O guitarrista e líder da banda, Tom Scholz, foi engenheiro da Polaroid. Enquanto ele estava trampando nessa função, parte do dinheiro que entrava era destinado ao estúdio que ele estava montando no porão de sua casa. Só que não adianta ter os equipamentos, se não tem gravadora pra botar grana no projeto. Acreditem se quiser, eles enviaram uma demo de nada mais, nada menos, que “More Than a Feeling” para a Epic Records e receberam uma resposta nada educada do executivo. Entre outras coisas, ele disse: ‘Essa banda não tem absolutamente nada de novo a oferecer’.

Assim, tratava-se simplesmente do maior hit da banda até hoje, mas beleza, vida que segue. Não era o primeiro “não” que eles tomavam, estavam calejados.

Mas lembra que o gênio, engenheiro de som, Tom Scholz, estava preparando o terreno, ou melhor, o porão de sua casa para produzir suas músicas? Pois então, ele já tinha várias fitas demo das músicas que seriam colocadas no álbum prontas. E aí, quando essas fitas começaram a circular entre alguns executivos (por causa de uns contatos que nosso amigo tinha), a mesma Epic resolveu “voltar atrás”.

Com contrato assinado, a banda passou a ter acesso a sessões caras em estúdios de ponta para produzir o álbum. Mas eles deram um “balão” na gravadora e só usavam a suntuosa estrutura para fazer pequenos ajustes. Eles até chegaram a mandar metade da banda para o estúdio para dar aquela enganada, enquanto o Tom fazia tudo do porão de sua casa. Pensa, o cara não tinha orçamento e daí teve que construir seus próprios pedais de efeito e atenuadores de potência artesanais, além de mixer e gravador de 4 canais modificados. Sem contar a semente do que viria a ser o primeiro simulador de amplificador portátil da história. É óbvio que ele queria usufruir de todo trabalho braçal e do investimento que fez nisso tudo.

E quem ainda acha que isso é bobagem, tem outro fator determinante: “enganar” a gravadora, permitiu que eles fizessem o som que queriam. Sabe aquela coisa de produtor meter o bedelho, modificar a ordem das músicas, mudar mixagem, timbragem e o escambau? Nada disso aconteceu.

Parece que estou falando sobre o Tom Scholz e não sobre o disco do Boston, eu sei, mas é impossível não destacar esse cara. Se não bastasse criar seus próprios equipamentos e produzir as músicas, ele tocou praticamente todos os instrumentos do disco, sobrando apenas os vocais para o Brad Delp, até porque nisso não tinha como o Tom concorrer, e as baterias, que foram tocadas nas demos pelo Jim Masdea.

Então, podemos dizer que aquela maravilha chamada “Foreplay/Long Time”, música que eu mais gosto desse disco, é uma obra-prima desse “punk” do arena rock. São quase oito minutos, três solos arrebatadores, sem contar em todos os demais elementos que compõem esse som. É absurdo o que acontece ali. Eu sempre me pergunto como que bandas conseguem chegar em resultados tão assombrosos. Bom, talvez nunca chegue à uma conclusão.

O fato é que não vou conseguir destacar tudo, é papo de nota máxima, não tem defeito nesse disco.

Acho que é uma boa estreia para a resenha de estreia desse novo Trítono. Seja muito bem vindo(a).

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Disco avaliado

Boston
Boston
★ Nota: 10/10
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