Bom, para começo de conversa, não são 13 minutos cravados, e sim 12min59s neste EP do AFI, que é uma verdadeira ode ao Halloween.
Tudo nele tem relação com o tema? Não, mas a intenção está em cada detalhe. Primeiro, na data de lançamento: o trampo saiu no dia 5 de outubro de 1999, pouca coisa antes do Dia das Bruxas. Segundo, na capa criada pelo artista Alan Forbes, que respira Halloween. A tipografia do nome da banda e do EP, além de todos os elementos visuais, homenageiam diretamente a tradição.
Falando nas faixas, duas das quatro seguem à risca essa linha. A abertura, “Fall Children”, representa muito bem o clima dessa data tão aguardada nos Estados Unidos. O início traz aquela ambientação sombria e cheia de suspense, mas logo desaba em um hardcore frenético. Vale mencionar que o timbre e o estilo vocal de Davey Havok nessa introdução remetem bastante a uma figura clássica do horror punk: Glenn Danzig. As coincidências não param por aí, já que o material foi divulgado durante a turnê em que o AFI abria os shows do próprio Danzig. A segunda faixa, inclusive, é “Halloween”, um cover de quem? Sim, dos Misfits!
As outras duas faixas deixam a temática do feriado de lado para se tornarem os verdadeiros destaques do disco.
“The Boy Who Destroyed the World” é um dos maiores clássicos da carreira do AFI. Não à toa, marcou presença na trilha sonora de ninguém menos que Tony Hawk’s Pro Skater 3. Fica a eterna dúvida: a música se tornou esse estrondo por estar no jogo, ou entrou no jogo justamente por já ser grandiosa?
A letra aborda a destruição do mundo de forma metafórica, tratando daquele momento em que a inocência é engolida pelo amadurecimento e a essência se perde em meio a pessoas cruéis, que apagam o brilho alheio. É o retrato da transição daquela adolescência leve, cheia de sonhos e quase sem obrigações, para uma vida adulta carregada de cobranças, que nos força a usar uma máscara social constante. Quem já passou de certa idade costuma bater de frente com a nostalgia, lembrando de um passado que parecia ter muito mais vida e graça do que a rotina atual.
Ainda sobre essa faixa, nada tira da minha cabeça que o título bebeu na fonte de “The Man Who Sold the World”, clássico de David Bowie eternizado na versão acústica do Nirvana (segundo palavras do próprio Bowie).
O EP fecha com “Totalimmortal”, faixa que saiu como single e ganhou projeção na versão cover do The Offspring para a trilha do filme Eu, Eu Mesmo e Irene. Com uma pegada igualmente introspectiva, mas sem perder a ferocidade, a letra retrata a imortalidade não como uma dádiva, e sim como uma condenação a um estado perpétuo de sofrimento, alienação e desconexão com o mundo.
Dá tranquilamente para ouvir essas quatro pedradas enquanto lava a louça. Rápido, direto e visceral, exatamente como um bom disco de hardcore deve ser.
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